Casa e Torre de Gomariz transformadas em Solar - empreendimento turístico de luxo, em Vila Verde!

Um dos mais emblemáticos edifícios, com relevância histórica em Vila Verde - a Torre e Casa de Gomariz, na freguesia de Cervães - já está a ser alvo de intervenção que visa o seu completo restauro e e transformação no Solar de Gomariz, um empreendimento turístico de luxo, que promete ser uma referência em todo o país, anunciou o Município de Vila Verde.


Um investimento privado de mais de 4 milhões de euros está a recuperar uma estrutura quinhentista que inclui uma ampla quinta rural, com raízes que remontam ao reinado de D. Dinis (séc. XIII). O presente projecto contempla uma vasta área inserida em zona rural com elevado valor natural, e prevê a criação de um centro de convenções e congressos, com capacidade para 300 pessoas, um restaurante, umaárea de relaxamento, spa, piscina interior e exterior, bar e um museu do vinho para pequenas provas!

Aspeto altamente vantajoso do futuro Solar de Gomariz é a sua apelativa localização geográfica, na freguesia de Cervães, noroeste do concelho de Vila Verde, muito próximo da cidade de Braga, promete ser uma sedução a turistas proveninetes do litoral norte e das grandes áreas urbanas portuguesas, mas também da Galiza e do norte da europa.

O empreendimento promete ser bastante versátil, não só para acolher turistas que venham à região em busca de um 'Turismo de Sensações', mas também para a realização de congressos e grandes eventos.

Sabiam que a “Torre de Gomariz” está em processo de classificação pelo IGESPAR - Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico? 


A requalificação está a ser concretizada pela família proprietária deste património, que visa a sua valorização.

Na visita guiada pela estrutura, António Vilela, presidente do Município de Vila Verde salientou "o arrojo do investimento, a visão de recuperar e valorizar um importante património histórico e transformá-lo em espaço turístico de topo e a determinação em concretizar um projecto diferenciador e com capacidade para conquistar um espaço importante na oferta turística da região e do País".

Era uma vez... a mui nobre Torre e Casa de Gomariz

A propriedade de Gomariz aparece mencionada pela primeira vez em 1296, ano em que foi adquirida pelo Cónego da Sé de Braga e contador do rei D. Dinis, Estêvão Durão Esteves, Abade de Cervães. 
Desconhece-se se, já por essa altura, existia uma domus fortis no local. É certo que o edifício que chegou até aos nossos dias é posterior aos finais do século XIII, mas revela uma tipologia de habitação nobre característica dos séculos finais da Idade Média, fazendo crer que se deu uma reforma de um conjunto anterior. 
A importância da quinta no contexto regional e as continuadas referências ao seu estatuto enquanto propriedade vinculada à capela de Santa Luzia da catedral bracarense são indicadores (embora ténues) que permitem supor da existência de uma primitiva habitação nobre, mas só a arqueologia poderá trazer respostas mais concludentes a respeito da origem da torre. 
No início do século XVI, provavelmente na sequência da passagem da posse da quinta para Constança Soares, viúva do nobre Pedro da Cunha, ocorrida em 1531, deu-se uma profunda reforma do edifício medieval. 
Uma mais rigorosa apreciação cronológica foi avançada por historiadores que identificaram semelhanças estilísticas entre as gárgulas da torre e outras na ábside manuelina da Sé de Braga (1509) e na torre da colegiada de Guimarães (inícios do século XVI). 
Apesar de bastante arruinada, são ainda muitos os elementos que permitem caracterizá-la. De desenho quadrangular, ergue-se em quatro pisos diferenciados exteriormente por vãos, totalizando cerca de 12 metros de altura. Nas esquinas, conservam-se parte dos matacães e as gárgulas, que ora são em forma de canhão, ora apresentam motivos zoomórficos. Nos alçados, em especial no principal (voltado a Noroeste), são notórias as obras do século XVI. 
Nos três primeiros pisos, abrem-se portas e janelas em posição axial, que recorrem sistematicamente ao lintel recto. Ao nível do penúltimo andar, a janela é ladeada por duas pedras de armas, uma das quais da família Cunha. O derradeiro piso, decerto o espaço mais nobre, é iluminado nas quatro faces por janelas duplas providas de mainel, mas rasgadas num único bloco. 
Depois de consumada a reforma quinhentista, ou em simultâneo com esta (embora com obras no século XVIII), adossou-se à torre um edifício longitudinal, de dois pisos, que segue a disposição simétrica dos andares inferiores da torre. 
Este segundo corpo funcionou como ala residencial e, apesar de bastante descaracterizado, é possível perceber um pouco a sua organização original. No piso térreo funcionariam os espaços de apoio, como arrecadações, cozinhas e demais dependências de carácter funcional e, porventura, rural. No andar nobre, a que se acede por escadaria voltada a Noroeste, estariam concentrados os quartos e um salão de recepção.  
Da campanha barroca do conjunto monumental fez ainda parte a iniciativa de murar a quinta e a construção de uma capela, associada ao portão da propriedade. De planta rectangular, com nave única e capela-mor integrada no corpo, é um pequeno templo de fachada principal de pano único, entre poderosos pilares-cunhais de cantaria, por sua vez encimados por desproporcionados pináculos piramidais. 
Adquirida em 1913 pela família dos actuais proprietários, o conjunto é um dos mais interessantes vestígios medievais e quinhentistas da implantação nobre na zona imediatamente a Norte de Braga e aguarda por uma rigorosa e exaustiva monografia, que contemple o inevitável contributo da arqueologia. 
A Torre de Gomariz integra-se no conjunto de um solar de planta rectangular, habitualmente designado de casa-torre. Sendo uma habitação nobre característica dos séculos finais da Idade Média, este monumento aguarda classificação pelo IGESPAR. Após ter chegado a um estado avançado de ruína, encontra-se em fase de restauro por forma a tornar-se o tal espaço turístico de excelência. 

Localização: Avenida do Sobral – Cervães